Enfeitada de Sonhos

As facetas da moda

10 de julho de 2017 0 Comments

Além de obter caráter comercial, a moda representa mais do que apenas “figurinos” para o nosso dia-a-dia. Sua evolução ocorre de acordo com a nossa realidade, tudo para estar alinhada ao nosso desejo de compra. Sim, justamente para vender. Simples assim. Pareço desenfeitar sua visão sobre o mundo “fashion”, então segue lendo esse texto!

Após atuar na Vogue Britânica por cerca de 36 anos, sendo por 25, diretora de moda da revista, Lucinda Chambers é demitida em menos de três minutos de conversa. O que poderia ser apenas mais um reflexo de ingratidão de uma empresa sobre o empregado, refletiu em um enorme desabafo sobre a indústria da moda na Vestoj – revista independente que aborda pensamentos críticos sobre a indústria.

A moda não é uma passagem para o mundo encantado, você dificilmente irá ter acesso a ela através de uma “carruagem de abóbora”, é preciso mais. “Se você se mostra confiante, a indústria acredita em você. Se você parece vulnerável, ela não te vê como uma vencedora. Acredite em mim: na moda, você pode ir longe apenas por vestir roupas maravilhosas”, destaca Lucinda, no texto para a Vestoj.

Um cardume de peixes se une como forma de proteção contra seus predadores. Muitos se afastam com medo de se aproximar ao vê-los em grande quantidade. Para ele funcionar é preciso sincronia, assim o cardume aparenta ser um só. Porém os peixes que vivem assim parecem obter uma vida “exaustiva”, já pensou viver sobre uma mesma sincronia? A questão é que ninguém é perfeito e a gente não vive em cardumes para seguir “com sincronia” tudo que é imposto a nós! Porém muitas vezes seguimos como os peixes…

Houve uma época onde a quantidade de botões em suas roupas refletiam quão bem-sucedido você era. Acredita que nós mulheres, já utilizamos adesivos para esconder “imperfeições” em nosso rosto? Quais adesivos e quantos botões utilizamos hoje em dia? Podemos trocar botões por “views” em nossas redes sociais, e adesivos pelas fotografias no Instagram? Sim, isso não deixa de ser moda e nós não deixamos de usa-los para impressionar o próximo. Pois bem, apresento-lhes o lado fútil dessa indústria!

Lucinda conta para a Vestoj que um amigo a incentivava a esconder que havia sido demitida “Se você continuar falando sobre isso, isso se tornará sua história. Ela deve dizer que você teve a carreira mais incrível por mais de trinta anos e não contar que tenha sido demitida. Não perca a história. ” Esconder a história seria apenas colocar mais fumaça sobre o espelho da indústria e fazer com que a sociedade não a enxerguem com clareza e Lucinda parecia já estar sufocada. “Você não pode errar, especialmente nessa época de rede social, em que tudo é sobre ter uma vida maravilhosa. Ninguém pode falhar, o que causa ansiedade e medo. E porque não? Afinal de contas, o erro pode nos fazer evoluir”. 

Muitas vezes seguimos como cardumes em sincronia para nos adequar a primeira fila do desfile de moda. Onde ali, irá ser avaliado não apenas o local da sua cadeira, mas o que você veste e como se veste. Como se lhe perguntassem se está pronto para “usar a quantidade certa de botões”. Tudo isso impõe na sociedade uma cultura consumista, “loucos” em busca de se “adequar”. Você precisa estar por dentro das tendências, se ousar ser diferente, prepare-se para ser o “patinho feio” até que seu valor seja notado, ou seu estilo “entre em tendência”. Não se enganem por questão cultural, moda, vai muito além do que você veste, portanto isso não se concentra apenas na indústria da moda, mas reflete grandes problemas da sociedade.

O consumismo nos faz questionar sobre a roupa que usamos e quem a produz. “As grandes empresas exigem muito mais de seus designers. Eles vão ter problemas de nervosismo. É muito pedir a um designer que faça oito, ou em alguns casos até dezesseis coleções por ano. Os designers fazem isso, mas eles o fazem mal” diz Lucinda. Este é apenas mais um problema na indústria sobre o reflexo do alto consumo. Nem preciso citar os trabalhadores que são impostos a trabalhos análogas a escravidão para saciar nosso desejo de compra, ou a maneira como o meio ambiente é prejudicado. Tudo para que? Seguir o cardume?

Os problemas da indústria com o qual lidamos hoje em dia é apenas consequência do que deixamos ela se tornar.  Não é estar contra a indústria da moda, nem deixar de se apaixonar pela forma que a moda nos representa. A questão é que, se ela ‘nos veste’ o erro está em grande parte em nós mesmos. Se hoje existe um padrão de beleza, é porque o aceitamos. Se há trabalhadores sendo impostos a trabalhos análogos a escravidão, é para saciar nosso desejo de compra; o mesmo digo dos problemas ambientais. Se aceitamos o que é designado a nós pelas revistas da moda, pelas mídias, sejam elas quais forem, é porque de certa forma deixamos isso acontecer.

Devemos parar e pensar sobre os ídolos que estamos seguindo. Não questionar apenas “quem fez nossas roupas” ou “de onde ela veio”, mas nos perguntar sobre o conteúdo que estamos consumindo e de que forma isso está acontecendo. Como disse Lucinda “O belo é algo muito sedutor e não há nada de errado com isso. Mas ele perde o sentido quando você tem que criar personagens, porque ser você mesma não é suficiente”. Precisamos parar e questionar nossos valores, não perdê-los por preguiça de pensar.

 

 Com amor,❤

Ká Morillo

12 de julho de 2017

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