Enfeitada de Sonhos

Nos bastidores da moda com Fernanda Simon

· “Eu acredito que a moda, como toda forma de arte, deve ser sinônimo de liberdade.” diz Fernanda Simon ·

15 de junho de 2017 0 Comments
     Criei o Enfeita de Sonhos para debatermos muito mais do que tendência. Além de nos “enfeitar de sonhos”, vamos também “desenfeitar” a moda e descobrir
 a melhor forma de nos adequarmos a ela. Após o evento, entrei em contato com a coordenadora nacional do Fashion Revolution, Fernanda Simon, para entendermos
 um pouco mais sobre a luta do consumo consciente e iniciarmos esta saga no Blog. A entrevista e conclusão da matéria você acompanha logo abaixo. (:

 

 

Nos bastidores da moda com Fernanda Simon

Os bastidores são fechados, só entra neles quem tem permissão e muitas vezes estômago para aguentar a pressão de estar lá dentro. “Eu acredito que a moda, como toda forma de arte, deve ser sinônimo de liberdade. ”, diz Fernanda. Liberdade é saber o que ocorre, fingir que não sabe ou simplesmente não ser informado?

O Fashion Revolution foi criado após o desabamento de uma “colmeia têxtil”, em abril de 2013, que abrigava diversas confecções de roupas no edifício Rana Plaza em Bangladesh. Além de causar a morte de 1.134 trabalhadores e deixar outros 2.500 feridos, apresentou muito mais do que apenas as falhas de uma construção. O ocorrido revelou o lado obscuro da moda, mostrou o que realmente está por trás de grandes marcas, como a Zara, Riachuelo, Renner, entre muitas outras.

“Mudanças climáticas, escassez de recursos naturais, poluição e condições não dignas de trabalho, são questões que não podem mais ser ignoradas e exigem mudanças” destaca Fernanda. O movimento surgiu para provar que a moda pode e deve ser uma força para o bem, que mudar é a nossa única solução.

 

 

Ao se formar em moda na universidade Santa Marcelina, de São Paulo, Fernanda percebeu que não se identificava com os rumos do atual mercado convencional. Assim, mudou-se para Inglaterra com a intenção de descobrir seu lugar na indústria: “Não encontrava um propósito que estivesse alinhado com os meus valores e desejos”, explica. Em Londres, ela passou a acompanhar o crescimento do cenário de moda sustentável e ao mesmo tempo, conta que sentia necessidade de trazer o assunto para o Brasil.

O movimento foi lançado no Brasil em 2014, logo um ano depois de ser criado. Segundo Fernanda, o crescimento do Fashion Revolution tem sido orgânico, as pessoas estão se conscientizando e cada vez mais se tornando parte da ideia. Somente este ano tivemos cerca de 400 atividades do Fashion Revolution Day no Brasil e uma vitória foi anunciada na mesma época.  As varejistas de moda Renner, C&A e Zara, estariam se unindo para uma ação político-privada (PP) em busca de melhorar as condições de trabalho e as oficinas de costura nas grandes metrópoles de S.P.

        “Conhecer a marca, saber sua história, quem está por trás, quem faz e quais são seus objetivos” são perguntas básicas e um exemplo simples de como lutarmos juntos nessa batalha que Fernanda conta fazer antes de comprar uma peça.

 

Finalizo aplicando a campanha deste último Fashion Revolution Day : “Money Fashion Power”, questione-se sobre o poder do dinheiro com o qual estamos “patrocinando” as falhas da indústria de moda. Ao comprarmos uma roupa, não sabemos ao certo o que ocorre em seus bastidores. Enquanto suas etiquetas não apresentarem nenhum símbolo apontando que determinada marca está livre de trabalhos análogos à escravidão e que as peças foram feitas com matérias-primas menos poluentes, precisaremos pesquisar, ir atrás de informações que nos foram escondidas!

Hoje a informação está em nossas mãos, a indústria nos possibilita fácil acesso a moda e mais liberdade na hora de consumir, resumindo, nosso pagamento é facilitado. Mas e ai; nossa liberdade está em saber o que realmente ocorre por trás de tudo, fingir que não sabe, ou em simplesmente não ser informado? Precisaremos nos conscientizar e fazer a nossa parte!

 

Para quem se interessou, segue em anexo o vídeo de uma das campanhas do Fashion Revolution:

 

 

No mais era isso, obrigada pela companhia até aqui.

Por amor
      Karina Morillo

 

7 de junho de 2017

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