Enfeitada de Sonhos

Uma reflexão sobre tendência, com Paulo Borges

· #SPFWDay ·

14 de agosto de 2017 0 Comments

O mundo gira, e gira rápido. Um novo “vocabulário” de moda pode nascer a cada instante. O que hoje está em alta, amanhã pode não estar mais. “o SPFW existe a 23 anos. A 20 anos atrás não tinha internet, a 30 anos atrás não tinha celular. Não tinha informação digital, o processo era todo analógico. Por isso que a moda se construía de outra forma, por isso as tendências funcionavam!”, explica Paulo Borges, idealizador da SPFW (São Paulo Fashion Week).

Moda não é roupa, é comportamento! Ela é como uma fotografia do nosso tempo e tendência de moda é o que nos influência a consumir um algo. A questão  é que hoje o mundo se constitui em um excesso de ritmo. Vivemos em um “caos tecnológico”, para cada ângulo que a gente olha tem uma mudança, tudo passa como um raio por nossas vistas.

Antigamente a moda era constituída pela corte, “a corte usava moda, o povo usava roupa.” diz Paulo. O prêt-à-porter (moda pronta para vestir), foi idealizada por Yves Saint Laurent em 1966 e constituída por Pierre Cardan, no ano de 1973, através da primeira loja de departamento neste modelo. O intuito era levar a moda para o povo. Porém através do acesso que obtivemos hoje este modelo se tornou pequeno em vista do que a sociedade passou a desejar, sendo assim nasceu o famoso e tão comentado: Fast Fashion (moda -literalmente- rápida).

(Clique aqui e veja uma conversa sobre o Fast Fashion com a coordenadora nacional do Fashion Revolution Fernanda Simon).

É interessante a gente perceber que o fast fashion se constituiu através de uma necessidade do mercado por volta dos anos 90, onde se impôs por um canal de tecnologia que oferece imagem da moda para todo o mundo, a moda rápida é apenas uma reflexo de uma necessidade gerada na época. O processo de moda, não poderia mais se dar ao luxo de se desenvolver por seis meses para construir a mente do consumidor,  para criar uma “modinha”, a cadeia se inverteu. “Naquele mesmo instante que a roupa está na passarela, ela é transmitida e desejada. Mas essa roupa não tem pra vender, isso gera uma série de frustração, porque as pessoas desejam aquela roupa. ” esclarece Paulo Borges.

“A imagem se impõe ao consumo. Não tem mais uma tendência de moda, você tem movimentos de moda!” explica Borges.  A tendência se imponha no passado, ela era disseminada e todos a utilizavam, se dizia “a moda hoje é listrado” todo mundo a usava, porém no momento em que temos milhões de produções, uma grande diversidade de influenciadores, a necessidade de desejo se impõe até mesmo ao clima. Quem nunca escutou aquele famoso “não ta com frio menina??”. Nosso desejo pela roupa não se renova mais de seis em seis meses, ela está em mutação a todo instante!

“Uma informação da moda tinha um ciclo de 18 meses até chegar na base de consumo. Começava em Nova York e ia para o SPFW, onde havia mais um processo de 6 meses para disseminar no gosto do brasileiro, Isso ia indo até virar tendência ”, diz Borges. Para ter uma ideia, se existe 500 pessoas na sala do desfile, essas 500 pessoas serão mídia, blogueiros, revistas, jornais, sejam quem for, são: influenciadores! Uma prova disso é que antigamente o fim de um desfile era aplaudido, hoje ele é filmado, todos estão em silêncio trabalhando e transmitindo ao vivo o que se passa no evento.

O mundo se transforma e a gente vai com ele, moda é uma tradução do nosso tempo. Em um mundo onde tudo “corre rápido” demais, o que vale e está sendo hoje valorizado é a r-e-a-l-i-d-a-d-e, a personalidade e autenticidade no vestir! Não é usar “o casaco jeans”, é fazer dele algo seu! Transforme a roupa para criar a sua moda, reflita quem você através do seu estilo,. Crie a sua tendência e você estará no auge!

 

Foi compridinho né? Mas feito com muito carinho.. É
legal a gente perceber como a moda se transforma para
poder construir com confiança e do nosso jeitinho os look
do dia a dia!  Espero de coração que tenham gostado!
Beijoos, Ká Morillo 

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